“Somos o futuro da nação!”
Geração Coca-Cola ― Renato Russo
“Cana pra mim, Machado de Assis pra você...”
Dallas Diego ― Agronomia, UFAL
“Nada do que foi será de novo
do jeito que já foi um dia...”
Como Uma Onda ― Lulu Santos
A estupidez humana, os apartheids desfeitos e uma aparente revolução elitista são os personagens atuais que venho apresentar a você para fechar a trilogia das crônicas sobre o ônibus dos estudantes do turno vespertino de nossa Terra da Liberdade.
A Estupidez Humana: Existente desde os tempos de Cristo, essa ilustre personagem, que mostrou as caras no resultado das eleições municipais, marcou presença no ônibus bem antes delas, quando um membro da elite deixou claro que a tábua do dominó não entraria mais ali depois que eu desejei que, por acidente, esta caísse em sua cabeça. A estupidez não foi o desejo ― a liberdade de expressão se faz companheira ―, mas pelo fato de nos sabermos quem realmente manda no busao. A quem pagamos a peste dos R$ 16,00? Por que o membro da elite e seus chumbetas teriam mais argumentos que todo mundo? Só a estupidez humana explica!
O Apartheid: já apresentado de maneira generalizada na segunda cronica, atualmente o apartheid quase não existe, exceto no âmbito mental do ônibus. As cadeiras estão distribuídas de forma bem mais condensada, há estudantes de escolas privadas bem mais humildes e alunos de instituições públicas bem mais elitistas ― o que não existia no período ao qual faço referencia na segunda cronica ―, mas ainda existe a sutil diferença no tratamento dado aos dois extremos, que o diga um aluno do Cefet que, por desafiar o sistema, continua com as pernas diariamente doloridas.
A Revolução: Ok, Ok! Temos um problema aqui! Toda a revolução ocorrida no busao da tarde seria valida, não? Bom o caso foi o seguinte: sofríamos com o calor escaldante, mas por mais que, em sua maioria, só reclamasse a ralé nada parecia ser feito. Um dia o calor atingiu o senso político de oposição de alguns membros da elite e estes fizeram uma marcha mundiçada rumo ao comício de vosso amigo Kil. Infelizmente esse tipo de altruísmo não me convence, mas não me impede de reconhecer que teve sua utilidade. Resta esperar agora uma revolução de verdade, uma revolução para a gratuidade da passagem, a ascensão do respeito e o fim dos descasos. Essa revolução, entretanto, requer mais que gritos e posições politicas contrárias, requer um poder enorme de argumentação.
Despeço-me aqui esperando que os filhos da revolução extingam essa adoração a elite vulgar e muambeira que tenta tomar o controle que há muito já não está mais com o motorista.
Tarcísio José !

