MEU NOME NÃO É JOHNNY (?)

Meu nome não é Johnny e receio que seu nome também não seja.

Mas o rapaz morto a tiros por um homem fardado na capital das Alagoas chamava-se Johnny. O crime aconteceu num bairro violento da 3ª capital mais violenta do país. As desculpas para o homicídio conseguem ser mais fantasiosas que Harry Potter. Contudo, o bruxo britânico resolve tudo por mágica, e nem mágica apagaria a cota de três homicídios por dia da capital de nosso Estado. O governo já pediu socorro (!) para garantir a segurança de seu eleitorado – ops, de seu povo bem amado -, mas a situação continua de mal a pior: escolas são pontos de tráfico e consumo de drogas, casas de família são palcos para o espetáculo da morte, bairros pobres tornam-se cenários perfeitos para chacinas cruéis e desumanas. No bairro onde o jovem foi morto, por exemplo, já aconteceram vários tiroteios entre homens de farda e homens de gangues, sem nenhum envolvido ser preso ou morto. Aparentemente as balas só encontram gente inocente.

Todo esse medo, toda essa tensão, toda essa insegurança ainda nos fará – espero eu – ignorar uma certa atriz global que aparece com um sorriso mecânico na televisão nos mostrando as maravilhas que nosso governo fez para nós. Nesse dia, então, nos daremos conta dos vários descasos cometidos contra nós mesmos e veremos que, honestamente, nunca se fez tanto para se tirar a vida das pessoas em Alagoas.

Então, embora meu nome não seja Johnny, o caráter fúnebre do texto deve-se ao fato de que se continuarmos de braços cruzados, não importam que nome tenham, outros jovens ocuparão o lugar de Johnny, serão engolidos pelo descaso e pela profunda negligência.

Tarcísio José !

Letras - UFAL

11 comentários:

Marcio Ferreira disse...

Parabéns ao Tarcísio por mais um texto brilhante. Consegue traduzir nossos sentimentos, não nesse absurdo caso da morte de Jhony, mas também, da realidade da insegurança alagoana. Contiue assim.

Dallas Diego disse...

Bom, como agente já tinha conversado e você me explcou o texto, soh posso acrescentar que nós sempre viveremos nesse mundo cao, onde mentiras ocupam o lugar da verdade, pois é mais facil mentir do que se auto-incriminar...

Flws!!

Nina disse...

Tarcísio, obrigada pelo seu artigo. realmente vivemos neste caos... não gosto de ser pessimista, mas vejo que a cada dia a violência aumenta e parece que a tendência é piorar. Embora, eu tenha esta visão não quero desistir de lutar por justiça à morte do meu primo e por tantas outras injustiças que nos assolam.

Carlos Jorge disse...

Ja tinha lido o texto do tarcisio, ja tinha comentado e tudo, gostei muito e a realidade dos dias atuais nao so no caso da morte do JOHNNY mas de uma forma geral pode ter certeza...quantas vezes ja vimos um fato deste tipo...

(Lau) Diana disse...

er...
...
sou suspeita para vir aki e elogiar o meu Arnaldo Jabor particular ( ¬¬ hehehe _e aki cabem as minhas desculpas por compará-lo ah um "global") mas...
é inevitável:
amei o texto do Jhonny (assim como o anterior, óbvio)
e me orgulhei sinceramente por todo esse reconhecimento social...
enfim... parabéns, Tá ^^

(ah! e aki cabe a minha propaganda de amores rasgados ah vc, hihihi)

Gilmar da Pindoba disse...

parabéns companheiro tarcísio pela tua genialidade e por expressar nossa indignação diante desse amontoado de barbaridade em nosso estado.
o curso de letras se envaidece por ti. um forte abraço!

LIBERTAS disse...

Lesgal, mas não posso comentar muita coisa pq a net do CEFET tah pessima, soh posso lamentar pela morte de um jovem e dizer que infelizmente, tudo continua na mesma nessas terras de cá.

Luísa disse...

A espera valeu a pena. Embora nao esteja tao familiarizada com o caso do garoto Jonny, adorei o texto, principalmente porque escapa do sensacionalismo de ficar pregando o velho discurso "pobre familia em luto" e nos mostra nossa parcela de responsabilidade na luta para evitar que isso aconteça. valeu a todos do blog e ao escritor do texto.

Raquel disse...

Sou estudante do curso de psicologia do Cesmac e estava passando quando vi esse texto no blog -que ainda nao conhecia- e decidi ler. O que mais gostei nao foi do assunto do texto mas como o assunto foi escrito, o tom do texto.Parabens ao blog e tambem ao escritor do texto.

dam disse...

É dificil de acreditar que o mundo, ou essa situação, mude. Mas como disseste, querido amigo, não adianta colocar uma barreira entra realidade pessoal e a social. Eu não quero ser o Jhony de amanhã, nem quero que mais famílias passem por situações parecidas. Acho que estamos no mesmo barco. Ambos acreditamos, ainda, que possa haver um futuro diferente. Parabéns pelo texto, que assim como todos que vc faz, está ótimo.

Bju

Lígia Ferreira disse...

Bravo!!!

Pela argúcia no trato com as palavras ao tratar de um assunto tão delicado.

Parabéns!!!